21 de junho de 2015

História do Cinema de Animação – A Era de Ouro e o Estúdio Disney (13ª Parte)

Na última postagem, conhecemos um pouco sobre o surgimento do som no cinema. E como o cinema de animação aproveitou desse artificio para atrair a atenção do público para as obras animadas. E em 1928, Walt Disney lançava Steamboat Willie, o curta-metragem animado com a melhor sincronização entre o som e a imagem da época. E é exatamente a partir do ano de 1928, que, se inicia a chamada era de ouro da animação. Foi nela, compreendida num período de doze anos (1928 a 1940), que o cinema de animação ganhou o reconhecimento que almejava devido ao seu desenvolvimento técnico e artístico e que se estabeleceu como arte cinematográfica.

The Skeleton Dance (1929) o primeiro curta animado da série Silly Symphonies

A animação nesse período ganhou a sua própria revolução industrial, a qual gerou forças para as evoluções técnicas e artística necessárias para que essa técnica do cinema se estabelecesse de vez no mercado cinematográfico, e, assim, pudesse ter o mesmo reconhecimento que os filmes de ação ao vivo. É importante ressaltar que esse período coincide justamente com a Grande Depressão de 1929. E foi com os personagens animados, compostos por tinta nanquim, que se movimentavam entre as camadas do acetato, cantando hinos alegres contra a depressão, que os cinéfilos esqueceram seus problemas e tiveram o entusiasmo necessário para enfrentar suas dificuldades.

Walt Disney Studios 
O estúdio de Walt Elias Disney, popularmente conhecido até hoje como Walt Disney Studios Entertainment, foi um dos principais contribuintes para o firmamento da animação. Finalmente, com Disney e os artistas do estúdio, as animações eram vistas como arte e também como parte da indústria de entretenimento.
 Walt Disney percebeu que a animação precisava de um novo impulso, pois da forma em que vinha sendo feita chegaria ao seu término. Os artistas animadores das séries de personagens davam acuidade apenas às piadas visuais, e acabavam deixando de lado a essência da animação – o movimento -, perdendo assim toda ação e criando ações pouco elaboradas, com imagens repetitivas para suas personagens. Para Disney, era necessária uma nova forma de atrair e de entreter o público. Em uma expressão que ficou famosa, Disney almejava atingir a “ilusão da vida”.

Foto retratando o desenho e estudo de animais no Estúdio Disney

Para alcançá-la, o estúdio Disney trabalhou com recursos que facilitariam a criação de animações com movimentos mais fluidos e convincentes. Além de programas de treinamentos para seus animadores, que incluíam aulas de anatomia, de desenho de modelo vivo, psicologia da cor e princípios de representação, as equipes visitavam zoológicos, hospedavam-se em fazendas e filmavam atores em ação, analisando e esboçando movimentos de animais e pessoas quadro a quadro. Estudavam esqueletos, cadáveres de animais, modelos e maquetes. Tudo para atingir a almejada “ilusão da vida”.

O primeiro filme animado com o personagem Pluto (1932)
Disney ia mais além, almejava a criação de personagens com atuações convincentes, como se estes, possuíssem alma própria. E estes seres deveriam estar inseridos em narrativas envolventes aptos a atrelar a atenção do público. Com a série Silly Symphonies (Sinfonias Ingênuas), Disney e seus animadores exploraram a experimentação de novas técnicas animadas e mecanismos tecnológicos, um trabalho minucioso que cada vez mais refinava a animação dos estúdios Disney. Essa série utilizava-se da trilha sonora e da música para explorar o movimento. Além de, com as outras séries animadas de Mickey Mouse, lançar outros personagens importantes do estúdio, como Pato Donald, Pluto e Pateta.

Mickey Mouse - The Karnival Kid (1929)

Contudo, o fator que fez Disney se destacar dos demais estúdios e alcançar a “ilusão da vida” para personagens, foi o estudo dedicado e profundo sobre a essência da animação juntamente com seus artistas, sobre a movimentação dos personagens. Quando começaram a estudar a movimentação dos personagens, cada técnica desenvolvida adquiria um nome, tal procedimento era analisado, discutido e aperfeiçoado. Então, essas práticas eram repassadas para os novos artistas que entravam para o estúdio, como se fossem “regras de ouro”. Tais técnicas proporcionaram aos artistas dos estúdios Disney uma maior coerência nos movimentos de seus personagens, e foram nomeadas como os 12 princípios de animação.

Walt Elias Disney
Walt Disney foi o homem que teve a sensibilidade para perceber na animação todo o seu potencial e seu sentindo cinematográfico, entendendo a linguagem e as características próprias existentes nessa arte e a seu encadeamento com o espaço/tempo. Disney soube reinventar o cinema de animação e por isso tornou-se uma referência histórica e influência para outros artistas. Na próxima postagem vamos conhecer mais sobre as Sinfonias Ingênuas e algumas das inovações técnicas que contribuíram para a animação ser reconhecida como arte.