8 de setembro de 2018

Blender 2.8!

O meu primeiro artigo para este site foi falando de Blender. Muito tempo se passou e este maravilhoso software foi evoluindo exponencialmente.

 
Mas agora a nova revolução vem mostrando os seus primeiros raios de alvorada. Durante 3 meses os principais desenvolvedores deste software se juntaram em Amsterdã na sede da Blender Foundation para praticamente refazer o software do zero! Foi um trabalho muito intenso que eles chamaram esta reunião de Code Quest.

O resultado desta empreitada será mostrado neste artigo.

Eevee
 
O primeiro grande recurso é a substituição do Blender Render pela Eevee um renderizador em tempo real que segue a tendência PBR (Physically Based Rendering) da indústria de jogos, suportando gráficos de alta qualidade acoplados a uma janela de visualização responsiva em tempo real.


Com este novo renderizador, é possível criar luzes mais fotorrealísticas e sombras muito mais suaves.



Os materiais ganharam recurso de shaders Uber seguindo os materiais Unreal Engine 4 PBR. Tornando muito mais fácil o processo de criação de materiais e texturas complexas.


Agora podemos iluminar cenas com imagens HDRI em tempo real, fazendo com que os objetos da cena se influenciem mutuamente (reflexos, luz difusa, etc.).


Além de todos estes recursos, temos Motion Blur, Bloom, Tone Map, Depth of Field, Ground Truth, Ambient Occlusion, tudo isto em tempo real!

Grease Pencil

A ferramenta Grease Pencil inicialmente no projeto Blender foi criada para fazer anotações. Mas com o passar do tempo os animadores 2d começaram a utilizar este recurso. Pensando nisto a equipe do Code Quest resolveu desenvolver mais recursos na versão 2.8, fazendo com que o animador 2D ganhasse mais uma ferramenta poderosa.



Com o conjunto de novos pinceis, é possível fazer praticamente qualquer tipo de animação 2D diretamente na viewport do Blender.




Na versão 2.7, os desenvolvedores inseriram uma paleta de cores para que os animadores 2D pudessem pintar seus projetos. Mas agora eles viram que as cores Grease Pencil são muito mais complexas do que uma cor simples. Com isto eles trocaram a Palettes para Materials. Agora as cores funcionam da mesma maneira que qualquer outro material no Blender, com configurações adicionais exclusivas para Grease Pencil.


Um novo design de visualização foi criado especialmente para mostrar os recursos do Grease Pencil.

Essa visualização também é usada para selecionar o material atribuído ao pincel.

Além disto foi criado uma série de modificadores específicos para o Grease Pencil.




Nova Game Engine


Infelizmente (ou felizmente) na versão 2.8 damos adeus a Blender Game Engine, por motivos mais que compreensíveis, os recursos da BGE estavam obsoletos demais para acompanhar a demanda do mercado, além do fato de adaptá-la para os recursos da Eevee seria uma tarefa muito árdua e o resultado final não ficaria satisfatório. Então a decisão mais sábia foi "aposentá-la".



Muito pouco se sabe ainda deste recurso, o mais próximo é uma pequena demonstração de geração de partículas mostradas no vídeo acima, pois o projeto ainda esta em fase muito inicial.

Sabemos a princípio de quem vai liderar o projeto é o desenvolvedor Benoit Bolsee, e que o novo recurso se chama Interactive Mode.

 
Os blocos lógicos serão substituídos por nodes, igual ao sistema de composição e o sistema de materiais.

Os desenvolvedores vão usar como referencia motores de jogos tais como Unity, UPBGE, Blen4Web e Armory 3D para estruturar o seu novo motor de jogos. Trocando em miúdos, podemos esperar uma super ferramenta vindo por aí!

Mas para você que não vive sem um motor de jogos dentro do seu Blender, não se desespere pois basta baixar todos estes motores citados acima (menos a Unity), e instalar no seu software 3D favorito e seja feliz!

Outras novidades
Muitos outros recursos estão sendo implementados no novo Blender, um dos mais significativos são os novos recursos da Viewport.




Novo Shader de Cabelo



Suporte a luzes IES no Cycles



E muitos outros! Mais uma vez a Blender Foundation sai na frente e faz com que seu software supere ainda mais a concorrência!

Outa notícia muito legal é que quem coordenou toda a equipe de desenvolvimento da versão 2.8 foi um Brasileiro, o nome dele é Dalai Felinto.


Arquiteto formado pela UFF, começou sua carreira no Blender desenvolvendo o algorítimo que renderizava os jogos e as animações para domos de imersão.

 
Além disto foi um dos autores do livro Game Development with Blender pela editora Cengage Learning PTR


O mais legal que ele vai estar na edição de 10 anos do GNUGRAF que acontecerá dias 14 e 15 de Setembro dentro do próprio campus da ESDI, Rua do Passeio, 80 – Centro – Rio de Janeiro em frente ao Passeio Público e ao lado da escola de música da UFRJ. As palestras e oficinas são totalmente GRATUITAS. Detalhes neste link!

Gostou!? Quer experimentas o novo Blender!? Então não perca tempo e baixe a versão teste neste link.

Não sabe mexer no Blender? Gostaria de aprender? O que acha de ter aula com este que vos escreve?

Durante os dias 06/10 e 13/10 das 09h às 18h, estarei ministrando um curso essencial de Blender na EDX Coworking

Av. Rio Branco 124, Centro, Salas 1002 e 1102 – Rio de Janeiro

Maiores detalhes neste link.

Bem, por enquanto estas são todas as novidades!
Até a próxima!

21 de maio de 2018

Thundercats e o esvaziamento do debate pelo conflito de gerações


Nunca me esqueço do quanto ouvi nas décadas de 80 e 90, quando meus pais passavam pela TV enquanto eu assistia calmo e tranquilamente a um desenho animado, uma severa crítica a péssima qualidade daqueles desenhos animados que eram produzidos. Desenhos parados! sem movimento! Não era como na época deles que os desenhos respiravam.

Talvez ali, sem querer, meus pais começavam a plantar na minha cabeça essa semente investigativa que tenho sobre o universo da animação. E praticamente uns 20 anos depois eu entendia que eles se referiam aos desenhos clássicos das décadas de 30 e 40, quando o reinava o famoso dodecálogo de Thomas e Johnson nos estúdios Disney e seus modelos copiados para os demais estúdios de animação norte americanos. Ou seja, a animação como a ilusão da vida, o primor dos movimentos produzidos quadro a quadro naquilo que iremos chamar de Full Animation.

O problema é que, a partir dos anos 1950, não valia mais a pena para as grandes produtoras investirem em animação para o cinema (Curtas Disney, Tom e Jerry, Looney Tunes foram originalmente criados para a telona) e a TV pedia um método de produção mais ágil e mais barato. Restava então apelar ao método UPA de animação que, apesar de ser uma proposta artística, era de fato mais economicamente viável. Começam a pipocar as animações limitadas com personagens mais parados, criados com formas mais geometrizadas, tudo para agilizar a produção. Foram 10 anos de trevas até resurgir a dupla Hanna-Barbera que sabiamente saberia pegar o que aprenderam na escola antiga e adaptar aos novos tempos. Mesmo assim aquela geração que curtiu Tom e Jerry no cinema fez cara feia a novidade.

Curiosamente hoje muitos comentam do Tom e Jerry das décadas de 40, 50 que foram animados por Hanna, Barbera, Tex Avery, Fred Quimby e Chucky Jones e sempre comparando com sua produção para a TV que passaram ainda pela MGM e pelos estúdios Hanna Barbera se referindo aos mais atuais como o Tom e Jerry "Toscão" e aos antigos como Tom e Jerry "de verdade" e isso independe das gerações.

Agora a internet entra numa nova briga colocando, na minha opinião de forma equívocada, aqueles que criticam o novo desenho dos Thundercats a uma questão meramente geracional. E defendendo com unhas e dentes que esta não deve ser uma preocupação de quem não é parte do público alvo da série. Porque é fácil provar a defesa de uma tese classificando e rotulando as demais de forma pejorativa. E assim os robozinhos algorítmicos do Face vão alimentando cada vez mais essas bolhas sociais.

Em seus Escritos Corsários, o cineasta italiano Pier Paolo Pasolini no seu tratado pedagógico intitulado "Gennariello: a linguagem pedagógica das coisas" aponta para a questão geracional deixando claro que muitas vezes elas tem uma certa dificuldade de diálogo.

Agora não posso te ensinar as 'coisas' que me educaram, e você não pode ensinar as
'coisas' que estão te educando. Não podemos ensiná-las um ao outro pela simples razão
de que sua natureza não se limitou a mudar algumas das suas qualidades, mas mudou
radicalmente sua totalidade” (Pasolini, 1990, p.132)

E assim, tendo introduzido esse assunto, deixando claro que é fácil rotular as coisas ao "no meu tempo era melhor" coloco aquilo que parece ser uma preocupação legítima de uma geração que viu os Thundercats nas décadas de 80 e 90: a tendência a descaracterização dos personagens. Não é apenas uma questão estética. Trata-se de uma alteração em nome de uma modernização. Em alguns funciona perfeitamente. A passagem dos personagens do Universo Marvel e DC ao longo das décadas (tirando novos 52 por favor :D ) e agora o caso Marvel para o Cinema é perfeita nesse aspecto. Muito dos personagens foi mudado, no entando muito de sua essência principal permaneceu.

No entanto, na DC temos um caso que chama atenção que são os Jovens Titãs em Ação. Ali não se tratou apenas de fazer os personagens mais fofos. Tornaram os meninos totalmente Non Sense. E não é o nonsense que o Keith Giffen e o Kevin Maguire fizeram com a Liga nos quadrinhos nos anos 1980. É um esvaziamento total de sentido dos personagens. Virou uma mistura de Sitcom de super heróis onde o que menos importa é o cumprimento das missões e a jornada de cada um. Pastelão puro e simples. Nem mesmo o Freakazoid de Spilberg era assim. Thundercats Roar parece seguir mais essa linha do que Steven Universe, Hora da Aventura, Apenas um Show ou Irmão do Jorel.

Ah, mas isso não são os Thundercats da sua geração! É hora de entender que estes são os da nova! Precisamos Crescer. 

Apenas pare amigo. Minha geração cresceu vendo desenhos que tinham como objetivo o mero consumo de bonecos: He-Man, She-Ra, Transformers, Comandos em Ação. Esse comportamento teve suas consequências. Só que nessa época não se tinha preocupação alguma dessa influência sobre o público infantil. Hoje essa discussão tem amadurecido. Então não é hora de deixar soltar a corda porque a geração mais velha hoje quer participar e discutir o que será produzido para as gerações futuras. E Sim! teremos dificuldades em achar um ponto em comum. Pasolini já previu isso como eu disse acima. Mas as redes são um espaço onde devemos apreciar e colocar o debate das ideias e aprender a não rotular o pensamento oposto.

É interessante começar a reflexão sobre personagens terem seu conteúdo esvaziado. Não é só pensar nas nuances de roteiro ou design das personagens. Teen Titans, Mickey e alguns outros passaram por essa mudança que parece começar a ser uma tendência. Por isso vale ligar um sinal amarelo (não para censurar mas para discutir e debater). Aprendamos a crescer juntos nesse debate ao invés de reduzir tudo a "o meu é mais legal que o seu" e "você está fora de moda".

O que de fato significa essa tendência? Qual é verdadeiramente a releitura desses personagens? Porque isso gera mais audiência? Do que esse esvaziamento de sentido de personagens consagrados é reflexo exatamente? E que outros reflexos serão gerados desse tipo (se é que o serão)? Essas são apenas algumas perguntas que devem ser levadas em consideração. Mas é claro, para isso, antes de pensar a série, precisamos ver. Até aqui tudo que se falou de Thundercats Roar é mera especulação. Pode ser que toda essa discussão seja em vão e seja apenas o caso estético.

Mas podemos aproveitar o debate gerado e falar dentro do que já temos como Teen Titans e os novos curtas do Mickey! Apenas não paremos no rótulo e sigamos em frente!

1 de agosto de 2017

Animação é só para crianças? NÃO! NÃO É!

Festa da Salsicha - A nova vilã das crianças?

Essa era uma cena recorrente, mas no ano de 2004, um festival de animação tinha em sua programação um curta chamado Engolervilha, um curta coletivo com cenas escatologicas e/ou bizarras de 15 a 30 segundos cada. E quero dizer escatologicas mesmo! Desde uma chapeuzinho vermelho chapada até as aventuras sexuais sórdidas entre um garotinho e uma galinha. 

Vovozinha do pó em Engolervilha

Pois bem, na fila dessa sessão existia, além dos fãs de animação, aqueles pais andando com seus filhos para mais uma sessão de cinema. Um dos autores do curta que ali estava, ciente do conteúdo do filme, avisa aos pais que naquela sessão tinha um filme não recomendado para aquelas crianças. Ao que o Pai responde:

- Nãh! sem problema! É desenho Animado!

Mickey forçando um beijo em Minnie em Plane Crazy
Nem preciso explicar que foi uma debandada de crianças com seus pais da sessão reclamando do absurdo que era uma animação daquelas e questionamentos sobre "Que tipo de doente faz esse tipo de coisa para as crianças?"

Então! Eis um dado importante: doente ou não, o curta Engolervilha não tinha sido feito para crianças. Era uma animação para o público adulto! E desde quando animação são para adultos? Bem. Praticamente desde a lanterna mágica do século XVII e dos brinquedos óticos do século XIX até chegar às primeiras animações para o cinema. Quem ia ver os curtas de Mickey Mouse (que em seu primeiro curta Plane Crazy arranca a força um beijo da Minnie em pleno ar e no segundo curta, Gallopin Gaucho bebe uma cerveja enquanto puxa Minnie pela cintura para dançar um tango) eram adultos! 

Donald Nazista em Der Fueher´s Face
Durante a Guerra, animadores como Tex Avery, Chucky Jones e até os estúdios Disney preparavam animações panfletárias contra o Nazismo e personagens para treinamento e diversão dos soldados!

Todas animações para adultos!

Na década de 60, os Flintstones estreavam na TV em horário nobre antecipado com um comercial onde Fred e Barney fumavam os Gigarros Winston. Absurdo? um incentivo às crianças ao fumo? nada Disso! Os Flintstones passavam no horário nobre porque era um programa para Adultos. Assim como hoje são os Simpsons, South Park, Uma Familia da Pesada, American Dad e tantos outros filmes e séries pra TV! Sem contar na produção de Animações para o cinema como Akira, Paprika, Wood & Stock: Sexo, óregano e Rock and Roll, Ghost in the Shell e até mesmo Shrek que só escapa porque as piadinhas adultas são um tanto discretas, mas estão ali.

Flintstones - Oferecimento de Cigarros Winston
Mas ainda assim, em 2017, as pessoas se surpreendem com uma animação onde um grupo de alimentos promovem uma orgia dentro de uma geladeira alegando que "não é possível que exponham nossas crianças a esse tipo de coisa."

E eu concordo! É um absurdo que exponham as crianças a isso! Mas, o filme Festa da Salsicha, que tem aparecido nas mensagens de WhatsApp e postagens no Facebook como a nova ameaça infantil tem classificação indicativa para 16 anos! Isso está avisado antes da exibição do filme e no painel de aviso dos canais da TV quando você passa!

"Ah mas eu não tava em casa e meu filho ligou na HBO!" Quaquer aparelho de TV por assinatura tem a opção de bloquear programas com senha de acordo com a classificação indicativa. É o Controle Parental. Basta configurar para que qualquer programa com classificação indicativa acima do que você escolhe seja bloqueado e pronto! A não ser que seu filho tenha a senha, naquele horário o programa estará bloqueado para ele e você pode descansar tranquilo!

Controle Parental - Quem ama bloqueia!
E não adianta denunciar. Por se declararem possuidores de um sistema de controle parental, podendo o adulto responsável bloquear programas não recomendados a seus filhos a qualquer hora, a TV por assinatura não precisa cumprir a vinculação horária como a TV aberta. Então queridos pais entendam que:

1) Nem toda animação é livre para todos os públicos;
2) Vocês tem o dever de saber o que seus filhos estão assistindo;
3) Precisam entender e conhecer as formas e métodos para controle de exibição de programação;
4) Não adianta responsabilizar a emissora. Quem deve cuidar do que seus filhos assistem, navegam e leem são vocês!

Ainda em cima do ítem 1, mesmo quando a programação é livre, ideias as quais vocês discordam podem estar sendo passadas para seus filhos. Por isso é importante estar ciente e deixar o diálogo aberto com a criançada sobre isso.

Então não façam como os pais norte americanos da década de 50. Não deixem a TV como a Babá perfeita para seus pimpolhos, aliás NEM A INTERNET! É necessário atenção às ferramentas necessárias para controlar e bloquear. E estejam prontos para conversar com seus filhos. Cuidar disso não significa invadir o espaço privado deles! mas demonstrar preocupação e carinho com o que eles estão curtindo e vivenciando.

Para que vocês entendam que tipo de conteúdo é exibido para cada classificação indicativa, coloco o quadro explicando tim tim por tim tim! (lembrando que a faixa de horário só é obrigação para a TV Aberta) Então pais, configurem suas TVs imediatamente, mas principalmente, estejam por dentro do que seus filhos assistem!


19 de julho de 2017

Diário Animado - Anima Mundi 2017 - Dia III

No terceiro dia de maratona de curtas metragens, muitas boas surpresas me apareceram.
Brinquedo Novo - Sessão Infantil 1
Foi o caso do curta brasileiro Brinquedo Novo (sessão infantil 1) que representa a visão de um bebê aos poucos perdendo o interesse no seu brinquedo novo. O curta é bem legal e trata o assunto do descarte de forma muito simpática e inteligente.

Caminho de Água para um Peixe - Sessão Infantil 3
Ainda nessa vibe sustentável um outro curta que empolgou principalmente na trilha sonora foi Caminho de Água para um Peixe (Curtas Infantis 3) que conta as aventuras de um garotinho numa vila que tenta salvar um peixe de morrer fora da água. A Direção de arte do curta é primorosa nessa co-produção entre Espanha e Colômbia.

Outro destaque da sessão Infantil 3 é o excelente Sr. Noite tira um dia de folga. A história do Sr noite brincando de escurecer várias coisas, animais e lugares durante o dia. O curta brinca 2D, ação ao Vivo e Stop Motion de objetos e considerei um dos melhores que assisti no festival.
Sr. Noite Tira um dia de Folga - Infantil 3

Falando em Stop Motion. Negative Space (Sessão Curtas 1) tem uma excelente história sobre um jovem rapaz e a relação que estabeleceu com seu pai através do hábito de arrumar as malas. A animação em stop motion super flúida dá um toque especial a este curta Francês.

Negative Space - Sessão Curtas 1
Meli-Metro - Sessão Curtas 11
A França está bem destacada nessa Anima Mundi. muitos dos curtas citados são de lá, assim como Meli-Metro (Sessão Curtas 11). Curta que, como pai de uma menina de um ano e meio, me senti completamente identificado. A história é algo bem corriqueiro e comum. Um pai com sua filha fazendo manha no metrô acaba se tornando o assunto de todos os palpiteiros e entendidos na vida alheia. Todos os perfis estão lá - A pedagoga, o incomodado, a mãe de três filhos, o doutor em psicologia soltando citações... tudo para dizer ao pai como ele deveria conduzir aquela situação com a filha. Pais certamente vão dar uma ótima nota no juri popular.

Mr. Madila - Sessão Curtas 9
O Reino Unido também mandou bem em curtas como o documentário animado (fake) Mr. Madila (Sessão curtas 9) que é uma entrevista do animador com um guru, gênio, faz tudo engraçadissimo. Não saia da sala até o final pois até a leitura dos créditos vai fazer rir bastante.

E a coreia do Sul ficou bem representada também no curta The Wrestler (Sessão curtas 9). Talvez não seja um curta que impressione pela história e nem agrade o público como um todo. Porém a animação e a expressividade dos personagens nessa cena de luta é fantástica com referências a ilustração e pintura coreanos trazendo claramente um destaque do referido país aos outros produtores de animação orientais.

The Wrestler - Sessão Curtas 9
Por último queria destacar o curta chileno Here´s the plan (curtas 10) que trata de uma forma muito delicada o assunto da dicotomia da vida de casados com as conquistas e carreiras individuais. É um curta que faz pensar muito numa sociedade onde a palavra "eu" acaba falando muito mais alto do que "nós" e como essa postura acaba nos isolando e deixando-nos abandonar a nós mesmos. Também entrou no Hall dos meus curtas favoritos desse festival.

Here´s The Plan - Sessão Curtas 10
E assim encerro a rodada entre as sessões competitivas do festival. Um Recorde meu de assistir 18 sessões em 3 dias, (6 horas dentro de uma sala de cinema por dia). Quando você vai se acostumando a frequentar o festival, dias assim se tornam comuns. Mas não acaba aí. Ainda temos papos animados, anima fórum e muitas coisas que vão rolar nos outros dias de anima. Você pode aproveitar e pegar essas dicas já que até domingo essas sessões vão se repetir pelo menos uma vez.

E vamos que vamos!

17 de julho de 2017

Diário Animado - Anima Mundi 2017 - II


Segundo dia de maratona do festival mais animado da América Latina. Mais um dia inteirinho no ODEON no Rio de Janeiro.

Surpresa - Sessão Curtas 7
Deste segundo dia, me surpreendi com a forma gentil que assuntos graves foram tratados de forma bem leve. Um deles foi o curta Supresa (Curtas 7) que é feito em cima de uma gravação real entre uma mãe e sua filha com câncer. O depoimento da menina ia sendo animado a medida que o curta vai evoluindo. Apesar do assunto parecer pesado, a narrativa acontece de forma leve, agradável e muito bonita, tornando esse um dos curtas mais significativos pra mim deste festival.

Outros dois curtas passaram em sessões infantis diferentes e trataram um assunto histórico muito grave de forma bem leve. são os curtas Chika, o Cachorro no Gueto (Infantil 5) e o "quase longa metragem" Férias Muito Muito Grandes (Infantil 7) que trataram da segunda guerra mundial, do nazismo e da perseguição aos Judeus. 
Chika, o Cachorro no Gueto - Sessão Infantil 5
O primeiro é um curta em Stop Motion que fala da relação entre o cachorro Chika e seu dono, um menino Judeus de cinco anos que é ajudado a crescer no Gueto de uma cidade polonesa em plena segunda guerra. A narrativa trata os medos do menino de forma muito delicada, focando mais nos medos e receios do pequeno. 

Férias Muito Muito Grandes - Sessão Infantil 7
No segundo, um filme de 50 minutos o espírito é mais de aventura. Um grupo de crianças vai passar as férias na Normandia no Verão de 39 e acabam ficando lá por mais de cinco anos devido a invasão na França pelo exército alemão. Juntas as crianças formam um grupo que ajuda a resistëncia do vilarejo contra os soldados alemães. O Filme tem técnica mista de 2D com 3D apresentados de forma bem equilibrada que mal dá pra distinguir as técnicas no filme. O Design das personagens tem um traço retrô, num estilo que lembra muito o do quadrinista belga Hergé, criador do Tintin. Apesar de grande, o filme agrada o público e ainda deixa um gosto de "Quero mais" no final. Fica o recado pra diretoria do Festival que queremos ver a continuação ;).

Escapada Espacial - Sessão Infantil 6
Por falar em estilo retrô, três dos curtas brasileiros que vi hoje pegaram muito bem esse espírito. Dois deles remetendo aos games da era dos 8 bits dos anos oitenta e noventa. É o caso de Escapada Espacial (Infantil 6) e A Vocação (Infantil 7). O primeiro fazendo uma referência aos jogos do Estilo Plataforma e o segundo fazendo referências às famosas classes de personagens de jogos de estilo RPG e Estratégia.

O terceiro filme brasileiro que remeteu ao retrô foi o documentário animado Sob o véu da Vida Oceânica (Curtas 5) que fala da vida de um pequeno ser aquático e seu tempo de duração de 6 minutos. O curta tem um timing divertídissimo, animado em 2D com uma clássica referência a animação moderna da década de 50 lembrando o estilo da UPA com personagens mais geometrizados e simplificados.
Sob o véu da vida oceânica - Sessão Curtas  5

Essa influência dos anos 50 da animação 2D da UPA ainda é notada no divertidíssimo Bullet Time (Curtas 7), um faroeste que conta a história entre duas balas em meio a um duelo entre dois Cowboys.

E fechando essa relação de curtas mais divertidos, me impressionei com Our Wonderful Nature - The Common Chameleon (Curtas 8) e não foi pelo 3D bem modelado, do cenário realista ou do roteiro engraçado. Mas por ser um excelente exemplo de como muitas vezes menos pode ser mais. O curta tem apenas uma cena com uma única tomada de câmera com 3 ações distintas. Mesmo não mudando ângulo o filme de 3 minutos diverte e agradou todo o público que assistia a sessão no Odeon.

Bullet Time - Sessão Curtas 7

Our Wonderful Nature - The Common Chameleon - Sessão Curtas 8
Continuo destacando o equilíbrio das sessões do festival. Todas com excelente qualidade. Afinal de contas são 25 de Anima Mundi. Experiência no assunto eles tem e muita. Até mais!

16 de julho de 2017

Diário Animado - Anima Mundi 2017 - I


Mais uma jornada animada que agora completa 25 anos. E depois de tantos anos talvez eu pense em mudar um pouco a forma de redigir esse diário. Ao invés de falar sessão a sessão e seus destaques vou diretamente naqueles curtas que me surpreenderam e se destacaram neste meu primeiro dia de Festival. Fiquem tranquilos que será acompanhado da sessão onde ele está.

Estou com fome de criança - Sessão infantil 4
Confesso que corri para chegar no festival e deixei de almoçar. Por isso estava com fome na primeira sessão. Tão faminto quanto o pequeno Jacaré do curta "Estou com fome de Criança" (Infantil 4) e o fato da animação ter sido produzida com desenhos feitos com sementes e comida só aumentou o apetite.Mas a fome deu um tempo quando suspirava pra ver a qualidade do trabalho do pessoal da UFMG com o curta "Diário de areia" (Infantil 4), uma aventura incrível de uma Guardiã dos sonhos que quer proteger sua irmã dos terríveis pesadelos. A qualidade da direção de arte é impressionante e deu um gosto de "quero mais". Espero que se torne uma série.

Toine - Sessão Infantil 2
E no meio de tantas pérolas também assisti "Toine" (Infantil 4). Uma história de um fazendeiro que tem problemas para administrar sua fazenda por estar com o pé quebrado. A simplicidade do traço e a forma dos personagens geometrizados com poucos elementos de cena são um destaque dessa produção. Simplicidade essa que  também se encontra no curta Aport (Infantil 2). um curta realmente curta que mostra a diversão de pequenos cachorros com uma bola. 

Mas dos filmes infantis do dia, quem me conquistou foi o filme "Dois Bondes" (Infantil 2) que junta Animação 2D com Stop Motion e que também se destaca na concepção dos dois protagonistas. A Forma como eles aparecem bidimensionalizados num espaço tridimensional. Um show de concept art e direção de arte.
Dois Bondes - Sessão Infantil 2
Les Deimoselles d'Ovalie - Sessão Curtas 4

Terminadas as sessões infantis fomos para os filmes pro público um pouco mais velho e aí assisti um excelente curta que junta duas coisas que adoro: Animação 2D e Rugby. Trata-se do curta francês Les Deimoselles d'Ovalie (Curtas 4). Além de tudo o curta é do francês Laurent Kircher, velho conhecido do festival e dos fãs de animação em trabalhos como O Mágico e As Biciletas de Belleville. Os personagens caricatos muito marcantes alinhados a uma animação primorosa e um timing pro humor sensacional (marca registrada deste francês) colocam o curta como um dos favoritos do festival. E no final da sessão é impossível não rir com o curta Brasileiro Macaco Albino:Pimenta (Curtas 4)que conta as desventuras de um fã da iguaria picante.

Revolting Rhymes - Sessão Curtas 6
Nessa maratona animada que foi hoje uma suspeita felizmente não se confirmou. Entre tantos curtas, um filme de meia hora. Quando aparece um filme assim a gente até se prepara que pode vir aqueles curtas arrastaaaaados, cansativos mas que nada! Revolting Rhymes (Curtas 6) é uma excelente história! Uma releitura dos clássicos contos de fada mas misturando todos eles e com uma pegada bem mais adulta. De repente a meia hora passou e eu achei que tinham sido só 5 minutos.

Última Chamada - Sessão Curtas 2
Quando eu achava que depois de tantos filmes ia me cansar veio uma das sessões mais simpáticas do festival (ainda falta mas arrisco dizer que a Curtas 2 deve ser a que mais vai agradar o público em geral). Temos na sessão o Argentino Juan Pablo Zaramella com uma compilação de episódios de "El hombre mas chiquito del mundo" com as dificuldades no dia a dia de um homem com menos de 10 centimetros de altura e o maravilhoso "Ültima Chamada" da portuguesa Sara Barbas que dá aquele tempero especial sobre encontros, desencontros nos nossos relacionamentos. Com um bom roteiro e excelente design das personagens com impressionane apelo, a animação com baixo framerate (poucos quadros por segundo) veio coroar a produção dando um ritmo muito agradável.

Scrambled - Sessão curtas 3
Falando em apelo. Alguém ja imaginou um cubo mágico conquistar o público por sua graça e simpatia? Pois bem... o curta "Scrambled" (Curtas 3) fez isso com maestria e não vou contar mais a respeito disso pra não estragar. Assim como o sensacional final do curta Chickens que dá uma nova leitura sobre o termo "deixaram um bode na sala"(no caso é um elefante mas tudo bem). Aliás... a sessão curtas 3, a última da noite tem uma temática bem feminina.

E esse então foi o primeiro dia com curtas muito bons. As sessões do festival estão bem equilibradas e muito, muito boas. Vale a pena conferir!

15 de julho de 2017

Anima Mundi terá plataforma de vídeos on Demand

Uma das novidades mais legais desses 25 anos de Anima Mundi acabou de ser anunciada na Cerimônia de Abertura do Festival: Vem aí o Anima Mundi On.

Trata-se de um serviço de vídeos on demand que oferecerá parte do acervo desses 25 anos de Festival. Com isso será possível assistir aquele curta metragem que você amou no Anima Mundi e não consegue mais encontrar em lugar algum. 

Segundo César Coelho, um dos diretores do festival, será possível assistir aos curtas separadamente ou em programações montadas pela curadoria do Anima Mundi. O diretor também comentou que o acervo será atualizado aos poucos (Faz sentido. Afinal são 25 anos de Festival né gente?)

O serviço está previsto para começar em novembro mas o site ja está no ar e convidando a quem quiser fazer um pré-cadastro que dá direito a um mês grátis de uso. (Clique aqui para se cadastrar).

Segue o vídeo de apresentação do Anima Mundi On apresentado hoje no festival.